SECRETARIA ABERTA DE

SEGUNDA A SEXTA

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HISTÓRIA

Toda casa de santo, possui uma raiz, uma tradição, uma descendência africana, uma família tribal e de Orixá, cujas origens remontam à África e àqueles que de lá trouxeram para o nosso país, o Brasil, os preciosos Axés. O Axé da família do Xangô Menino, cujo nome de fundamento é Ilê Axé Airá Untinlê (Ilé Àsè Ayirá N'T'Ile = que seria algo próximo de " Ayirá, o poderoso senhor da casa. Ayirá + Ni = senhor + Ti = de, da + Ilé = casa ou se for Ilè - com ponto embaixo do "e" (som aberto) seria da terra), que por causa da quebra sincrônica e diacrônica ficou "airá intile") tem origem na nação Ketu, uma das mais importantes da religião dos Orixás.

Mais especificamente, este Axé foi trazido para a cidade de Salvador-Bahia, por volta de 1835, pelo nigeriano Unjibemin do Orixá Obaluaiyê, que teve vários filhos, entre eles Regino José das Virgens, filho de Ogum e responsável pela guarda dos axés da família. Regino se uniu à escrava africana Josefa Valentina, filha do orixá Oxum, e desta união nasceu, entre outros, em 13 de janeiro de 1884, Hilário Remídio das Virgens em uma senzala localizada na Freguesia de Santo Antônio, região da antiga Salvador. O menino já nasceu livre, graças a Lei do Ventre Livre, e desde sua mais tenra idade, começou a ser preparado pelo seu avô, Unjibemin, que se transformara em um importante Babalorixáda época, para dar continuidade aos fundamentos e axés da família. Filho de Oxalufã, mas com o eledá entregue à Aiyrá, como foi determinado pelo Ifá de seu avô e pai de santo, o menino Hilário aos 7 (sete) anos de idade sofreu uma bolação (isto é, entrou em transe completo ocasionado pela incorporação violenta do seu Orixá Aiyrá), tendo sido iniciado no candomblé (nação Ketu), por volta de 1891.

Em 1894, morre Unjibemin, e no ano de 1899, fez a obrigação de tiragem de mão de vumbe com a Iyalorixá Maria Rufino Duarte, conhecida como Mariquinha Lembá, filha deLembá e praticante da nação de Angola. Por volta dos anos 50, Ojuobá conhece o jornalista Mário Barcelos em uma festa no Terreiro do Gantois, nascendo neste momento uma grande amizade e admiração mútua, o que resultou na aceitação de Mário como filho de santo e conduzindo-o à obrigação de santo, feita pelo velho Hilário Ojuobá.

Mário Barcelos era de Xangô de Ouros (em Ioruba Owuoró) tendo recebido a dijína de Obateleuá (na verdade um nome de santo de nação Ketu e não Angola). Consta que somente duas famílias de santo no país tinham fundamentos e sabiam lidar com este tipo de Xangô: a família de Hilário Ojuobá que tinha o nome de Casa Amarela; e o famoso Felipe Mulexê, que era iniciado para este Xangô, sendo também irmão de Felisberto Sowzer (o Babalorixá e Babalawo Benzinho Sowzer), ambos amigos de Ojuobá e netos deBangboshê Obitikô, o famoso Babalawo nigeriano que ajudou a constituir o culto Ketu na Bahia.

Em 1958, devido a problemas profissionais, Mário Barcelos retorna à cidade do Rio de Janeiro com sua família, levando consigo seu Pai de Santo Ojuobá. Dois anos mais tarde, Mário Obateleuá vai trabalhar em Macaé, Rio de Janeiro, como representante comercial, cidade onde residia a tradicional família Lima, parente de sua esposa Ana Amélia, filha de Iemanjá Ogunté. Desta aproximação, surge uma grande amizade com o filho da família Lima, o jovem João Sérgio, que na ocasião já frequentava o tradicional Centro de Umbanda Ogum Iára, comandado pela saudosa Iyalorixá Mãe Noca. Neste período, João Sérgio muito interessado pelos assuntos da religião africana, permanecia durante horas trocando informações com Mário Barcelos, que durante 6 (seis) meses hospedou-se na casa da família Lima. Estes novos conhecimentos fizeram despertar um grande desejo de se iniciar nos preceitos do Candomblé, sem, entretanto, permitir que seus guias de Umbanda fossem assentados.

Sua feitura aconteceu no ano de 1963, em um pequeno quarto de santo do terreiro Xangô Owurô, que funcionava nos fundos da residência da família Barcelos, no bairro de Sulacap, na cidade do Rio de Janeiro. Devido ao seu extenso horário de trabalho, Mário Barcelos Obateleuá entregou ao seu pai Ojuobá a responsabilidade de criar nos fundamentos Ketu e Angola o seu Yaô João Sérgio, filho de Xangô Aiyrá Intilé (este Xangô está na origem da fundação do Candomblé Ketu no Brasil, em especial sendo o Axé de origem do mais antigo deles – a Casa Branca do Engenho Velho ou Ilê Axé Iyá Nassô Oká). João Sérgio foi feito por Ojuobá e por Obateleuá na nação Ketu, mas também com direitos a cultuar o Angola, e recebeu o Orunkó ou Dijína de Banda Silê.

Fortalecido com os conhecimentos adquiridos na Umbanda, aliados aos de Candomblé, João Sérgio é incentivado pelo seu cambono, Adílson Figueira da Silva, pela família de Delvanir Pinheiro e apoiado pela sua mentora Vó Cambinda, decide deixar a Centro Ogum Iára e fundar sua própria casa, o Centro Xangô Menino, em 27 de setembro de 1966.

Em 1967, realizou sua obrigação de 3 (três) anos, e em 1976, recebeu ao mesmo tempo a obrigação de 7 (sete) e de 14 (quatorze) anos (ou como se diz para Xangô obrigação de 6 (seis) e 12 (doze) anos), feita na roça de Ruth de Oxum Apará, filha do mesmo Axé, localizado no bairro de Vila Cosmos, na cidade do Rio de Janeiro, uma das últimas realizadas pelo Babalorixá Mário Barcelos, que havia encerrado em 1974, as atividades de seu terreiro intitulado, na ocasião, de Roça de Xangô de Ouro, localizado no Água Santa, bairro da mesma cidade.

Durante muitos anos, ou seja, desde 1967 até 1989, o Centro Xangô Menino continuou praticando em seus rituais religiosos na Umbanda e no ritual Angola do Candomblé, mais fácil de ser implantado numa cidade como Macaé e melhor para conviver com a Umbanda; neste período, a casa teve também o nome de Abassá de Banda Silê.

Os anos se passaram e João Sérgio Banda Silê, começou a sentir a necessidade de se filiar a uma nova casa de santo, a fim de ter uma nova referência de família e de Axé. Após uma longa procura e vários contatos com importantes casas, chegou-se em 1988 até o Oluwô Agenor que, jogando Ifá, identificou a raiz Ketu da família e autorizou um retorno a esta origem ritual; a partir deste momento a casa de culto passou a se chamar Ilê Axé Aiyrá Intilé.

Iniciaram-se então as negociações e as confirmações de permissão para fazer obrigações com o Oluwô, de modo que Xangô Aiyrá e Orixalá concordaram no fato de Banda Silê fazer sua obrigação de 21 (vinte e um) anos, (na verdade uma obrigação de confirmação de sua origem Ketu e de sua possibilidade de retornar a este ritual), com o conhecido e renomado Babalorixá e Oluwô Agenor Miranda, filho de mãe Aninha, fundadora do Ilê Axé Opô Afonjá, da cidade de Salvador, Bahia, onde era conhecido por Santinho. Isto foi facilitado porque o Professor Agenor – filho de Orixalá com Yewá – conhecera pessoalmente desde a Bahia o velho Hilário Ojuobá, que também vivera com sua mãe de santo Aninha.

Esta obrigação foi realizada em Macaé-RJ, em 18 de dezembro de 1994, nas dependências do Centro Xangô Menino, reforçando ainda mais os conhecimentos e os fundamentos da nação de Ketu. Neste período, o Mestre e Babalorixá Agenor Miranda conquistou o respeito e a confiança de todos os membros da casa Xangô Menino, estabelecendo estreita relação com seu filho João Sérgio Banda Silê, e com o pai pequeno de sua casa Professor Ângelo Aláiyêdã, até o ano de 2004 quando, infelizmente, Pai Agenor veio a falecer no mês de julho.

Hoje, João Sérgio, o Babalorixá Banda Silê, tem buscado o apoio na Casa Mãe do seu atual Axé de família, o Opô Afonjá, através de sua mãe e chefe espiritual a Iyalorixá Mãe Stella de Oxóssi Odékayodê, da Equede Sandra de Obaluaiyê, e da Ebome e escritora Cléo Martins, que ocupa o importante cargo de Agbeni Xangô da Casa Opô Afonjá.